sábado, 13 de setembro de 2008

São Paulo tem proporcionalmente maior população de negros do país


A Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgou nesta quinta-feira o resultado de pesquisa que aponta que o Estado de São Paulo tem a maior população negra do país. Outro estudo também aponta que os homicídios atingem a população negra duas vezes mais que a população branca.
A pesquisa sobre a população da Seade foi feita com base nos dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Já os dados sobre mortalidade foram feitos somente com dados da Seade, com base em atestados de óbito registrados em cartório.
De acordo com a pesquisa sobre população, em 2005 São Paulo contava com a maior população negra do país, com 12,5 milhões de pessoas de cor preta ou parda --correspondendo a 31% dos habitantes do Estado.
O Censo de 2000, do IBGE, apontava que a maior proporção de negros residia na Baixada Santista, com 34,8 % de sua população --aproximadamente 514 mil habitantes-, de acordo com a Seade.
A Grande São Paulo era a segunda região com maior proporção de população negra --32,1%-- cerca de 5,7 milhões de pessoas, segundo a fundação.
Em 2000, dos 10 milhões de habitantes da cidade de São Paulo, 30,3% se declararam pardos e pretos, de acordo com a Seade.
Mortalidade
Já os indicadores de mortalidade por causas externas --onde aparecem os homicídios-, a população negra entre dez e 24 anos tem taxa de 120 mortes para 100 mil habitantes. Entre a população branca a taxa é de 60,5.
Entre os homens negros dessa faixa etária a taxa chega a 198,7, 33% maior que o indicador de mortalidade dos homens brancos, com taxa de 149,4.
As causas externas, de acordo com o Seade, matam muito menos as mulheres negras de todas as faixas etárias. Porém, a mortalidade feminina na faixa etária entre dez e 24 anos é 58% provocada por homicídios. Entre as mulheres brancas dessa idade, 71% das mortes são causadas por acidentes de trânsito.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u128279.shtml
Racismo de torcedores mancha o futebol europeu


Caso alguém não tenha percebido, a cor da pele de Ronaldinho foi um fator irrelevante para os técnicos, jogadores e jornalistas que homenagearam o brasileiro, elegendo-o o melhor jogador de futebol do mundo.
No esporte, a cor da pele não quer dizer nada. A história nos ensinou isso quando Jesse Owens derrubou as teorias racistas de Hitler nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. E, na semana passada, ninguém se surpreendeu quando Brian Lara, o jogador de cricket tobaguiano, eclipsou Allan Border, o australiano, como o mais proeminente jogador da história desse esporte.
Mas mesmo assim, em se tratando de futebol, o preconceito é generalizado. No último final de semana, por exemplo, na Itália e na Espanha, houve dois exemplos de racismo nos estádios.Marc Zoro, o zagueiro da Costa do Marfim, chorou ao ser alvo de músicas de teor racista, entoadas pela torcida adversária, quando jogava pelo Messina contra a Inter de Milão.
Zoro, que tem todo o motivo para estar orgulhoso com o fato de representar a sua nação na Copa do Mundo do ano que vem, resolveu agir por conta própria. Ele pegou a bola com a intenção de entregá-la ao bandeirinha e abandonar a partida.
Zoro foi contido por Adriano e Obefami Martins, o brasileiro e o nigeriano que integram o ataque da Inter. Eles acalmaram Zoro e pediram desculpas pelos insultos proferidos pelos torcedores da Inter. Os dois convenceram Zoro de que, caso procurasse abandonar o campo para os racistas, criaria um precedente que o futebol talvez não pudesse suportar.
"Quando fiquei calmo, concordei", disse Zoro. "Mas eu quero respeito, apenas respeito".
Zoro joga na Itália há três anos. Ele tem 21 anos de idade, e já foi alvo de abusos antes. Mas, das outras vezes, isso aconteceu longe de Messina, na Sicília.
"Neste caso, os torcedores da Inter viajaram e me escolheram como alvo na minha própria casa", queixou-se Zoro.
A Itália respondeu com várias palavras decentes vindas de figuras de destaque no esporte. "Os torcedores da Inter insultaram a natureza humana", condenou Marcello Lippi, o técnico da seleção nacional de futebol. "Só existe uma raça, a raça humana".
Mas a federação italiana de futebol decidiu responder apenas com gestos fúteis. Ela anunciou na última segunda-feira que todos os jogos dos campeonatos italianos desta semana começarão com um atraso de cinco minutos, como um protesto contra o racismo.
Na Espanha, dois jogadores do Espanyol de Barcelona, o goleiro camaronês Carlos Kameni e o centroavante brasileiro Fredson, foram alvo de músicas racistas cantadas pelos torcedores do Atlético de Madri. O jogo terminou empatado em 1 a 1, e o técnico do Espanyol, Miguel Lotina, alegou que a concentração do seu goleiro foi quebrada pelos ruídos que vinham de trás do gol.
O Atlético foi multado em 600 euros, ou cerca de US$ 700, por um caso de abuso similar neste ano.
Multas modestas e atrasos sem sentido de cinco minutos não conterão os racistas. Mas o que os conterá?
Em Bruxelas, na última quarta-feira, um grupo de parlamentares, agentes de jogadores, gerentes de clubes e o grupo Futebol Contra o Racismo na Europa se uniram no Parlamento Europeu para lançarem uma declaração escrita pedindo o combate ao racismo no esporte.
A menos que a declaração venha acompanhada de poderes para impor sanções reais contra os racistas, ela não passará de palavras ao vento. Há dois anos e meio, a Uefa, o órgão que controla o futebol europeu, organizou em Londres a conferência União Contra o Racismo.
Uma nova conferência deverá ocorrer em Barcelona em fevereiro. Devido ao exemplo de Ronaldinho nesta área, a conferência será o lugar certo, no momento certo, para abordar o problema.
Será uma reunião de mentes que pensam de forma semelhante, e que pregarão aos convertidos. A conferência de 2003 expôs e enfatizou a divisão entre os governos da Europa.
Na Inglaterra, por exemplo, cantar músicas de cunho racista em um estádio se constitui em um crime específico, passível de punição com prisão e aplicação de multas. Já na Espanha e na Itália, os dois países mais problemáticos da Europa Ocidental para os jogadores negros, a vontade de combater o problema está longe de ser tão intensa, tanto no âmbito do esporte quanto da justiça.
Craques negros pioneiros como John Barnes, o lateral jamaicano que jogou para o Liverpool, e um outro inglês descendente de pais tobaguianos, Laurie Cunningham, que foi da Inglaterra para o Real Madri há 25 anos, foram alvos da estupidez racista.
Mas eles não retrocederam. Mudaram as atitudes dos racistas com o seu talento. Os aplausos para Ronaldinho, quando o Barcelona venceu o Real em Madri, uma semana antes, contrastando com o desrespeito a Kameni ocorrido na mesma cidade, sugerem que a sociedade está muito longe de estar unida com relação às reações humanas básicas ao jogo.
Anti-semitismo
Representantes da comunidade judaica na Hungria pediram às autoridades do futebol que tomassem providências na terça-feira (29/10), depois se cantaram músicas anti-semitas durante uma partida de futebol, anunciou de Budapeste a agência de notícias "The Associated Press".
Os torcedores do Ujpest cantaram músicas insultantes durante uma vitória de 2 a 0, no sábado, sobre o MTK Budapeste, um clube fundado por judeus húngaros e ainda identificados com este grupo étnico.
Os dirigentes do Ujpest condenaram o episódio, afirmando que eles foram obra de "uma ou duas pessoas descontroladas". O Ujpest também criticou os torcedores do MTK por terem respondido às músicas chamando os fãs da equipe adversária de nazistas. Eles disseram que banirão da torcida qualquer pessoa que comprovadamente fizer observações de caráter anti-semita.
Tradução: Danilo Fonseca